Arquivo do mês: maio 2009

Caos no trânsito: um contraponto

Enquanto aqui no Brasil o sistema de caronas ganha cada vez mais espaço, em outros países a situação é diferente. David Coimbra, jornalista da Zero Hora e da TVCOM, publicou hoje em seu blog uma coluna falando sobre o caos no trânsito em Caracas, capital da Venezuela. David diz que, apesar das ruas largas, há carros demais. Os trajetos, por mais curtos que sejam, demoram no mínimo vinte minutos para serem percorridos. E a população, no entanto, cada vez compra mais carros.

Confira o texto completo aqui

A equipe do blog, então, dá a dica aos caraquenhos, aos venezuelanos e a toda população mundial: pegue ou dê uma carona. Pode ser com amigos, conhecidos, combinada pela internet. O importante é contribuir com a organização do trânsito, com o meio ambiente e, por que não, com o próprio bolso.

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Carona 2.0

Carona combinada pela internet ganha espaço no Brasil

Cristine Kist, Giuliana de Toledo, Idiana Tomazelli e Mônica Reolom

Passar horas na beira da estrada com o dedo erguido para pedir carona é um esforço que pode ser poupado. A carona 2.0, combinada pela internet, vem se tornando uma alternativa mais prática para economizar dinheiro e preservar o meio ambiente. Em redes sociais, como o Orkut, já existem comunidades específicas para combinar carona para viagens ou deslocamentos dentro da mesma cidade. Paralelamente, a carona 2.0 também alimenta um novo mercado virtual de sites especializados em cadastrar caroneiros.

Carona combinada pela internet pode aposentar a tradicional carona “de dedo” na beira da estrada

Carona combinada pela internet pode aposentar a tradicional carona “de dedo” na beira da estrada

Crédito da foto: Ramon Petkov – Flickr

Entre os universitários, pegar carona sempre foi hábito. Seja para reduzir despesas ou para ter companhia durante a viagem, as caronas tradicionalmente têm espaço nos murais das universidades. Os antigos recados em papel pregados nos painéis agora podem ser substituídos pelos fóruns de comunidades do Orkut. A possibilidade de investigar dados e encontrar amigos em comum no perfil de quem oferece ou se candidata à carona é uma vantagem do meio virtual.

Uma das comunidades mais atuantes no Orkut é a Carona em Bauru, que possui quase três mil membros. Micaela Lepera, 20 anos, estuda Jornalismo na Unesp de Bauru (SP), mas mora em Ribeirão Preto (SP). Para dividir a gasolina e o preço dos pedágios, Micaela oferece e pega carona regularmente através de contatos na comunidade. “Você não gasta telefone e pode ver se tem algum amigo em comum com a pessoa”, explica a caroneira. A economia, no entanto, não é o principal interesse da estudante: “O ônibus intermunicipal leva 3h20 pra concluir a viagem, enquanto de carro são só 2h15”. No caso dela, o preço da passagem é equivalente ao gasto com a viagem de carro.

A distância entre Bauru e Ribeirão Preto é de 228 Km:

Em algumas universidades, os alunos desenvolveram sites próprios para cadastro e agendamento de caronas. A iniciativa da Unicamp é um exemplo bem sucedido. O Caronas Unicamp, com mais de 4,7 mil membros, aceita, além de estudantes, outras pessoas que sejam indicadas para participar. As ofertas e pedidos de carona podem ser checados no site, e o usuário ainda pode se cadastrar para receber as atualizações via e-mail.

No entanto, a carona 2.0 não se restringe ao meio universitário. Sites como Carona Brasil, Coletivu e Eco-carroagem pretendem mobilizar e atrair um número cada vez maior de adeptos. O Carona Brasil, por exemplo, oferece cadastro gratuito para grupos de colegas de trabalho ou para pais cujos filhos estudam na mesma escola. Edgard Azzam, sócio-fundador do site, conta que a iniciativa surgiu como uma ideia para diminuir os congestionamentos e melhorar a qualidade de vida dos motoristas. O portal, criado em janeiro deste ano, conta atualmente com quase 1,5 mil usuários, segundo Azzam. Desses, 65% são da região Sudeste, sendo que somente São Paulo concentra 51% do total.

Em comparação com o número de adeptos no Sudeste, a carona combinada pela internet nas demais regiões brasileiras ainda é pouco utilizada. Leonardo Piovesan, 18 anos, estuda Engenharia de Controle e Automação na PUCRS, em Porto Alegre, mas parte de sua família mora em Criciúma (SC). Ele faz parte de várias comunidades de carona no Orkut, mas, mesmo na comunidade específica Carona POA x Criciúma – que atualmente conta com 24 membros –, ainda não conseguiu se beneficiar desse sistema. “O principal desafio para mim é encontrar alguém que faça o mesmo trajeto e que saia em horários que fechem com os meus”, conta o estudante, que atribui o problema à falta de oferta. “Hoje, continuo pagando os altos valores de passagens cobrados pelas empresas de ônibus”, reclama. Com base no caso de Leonardo, a equipe do blog calculou que ele poderia poupar quase R$ 30 se dividisse as despesas de uma viagem de carro com mais quatro pessoas (veja mais no audioslide).

Confira no audioslide abaixo as vantagens da carona:

Arte: Giuliana de Toledo
Narração: Idiana Tomazelli

O receio de viajar com pessoas desconhecidas ainda restringe uma procura maior pela carona 2.0. Para Edgard Azzam, iniciativas como o Carona Brasil encontram barreiras numa questão cultural da população brasileira, que não tem o costume de dar ou receber carona. No entanto, ele aposta numa mudança: “O fator cultural poderá mudar à medida que os benefícios da carona forem sendo divulgados”. A estudante Micaela Lepera, que já era adepta do método de colar bilhetes no mural da faculdade, não vê problemas em combinar carona pelo Orkut. “Sabemos que quem oferece carona é estudante, então se você não conhece a pessoa, algum amigo seu conhece e pode recomendá-la”, destaca.

Apesar das precauções, viajar com alguém não muito conhecido pode resultar em situações desagradáveis. “Já aconteceu de o motorista parar no posto, comprar cerveja e dirigir bebendo”, conta Micaela. “Levar um bolo” também é um risco que o caroneiro corre. Como uma espécie de índice de reputação virtual, a comunidade Carona em Bauru e o site Caronas Unicamp mantêm espaço para denunciar os maus companheiros de viagem.

As autoridades de segurança não recomendam a carona com pessoas desconhecidas. “Pela internet, nunca se sabe com quem se está lidando”, alerta o capitão da Brigada Militar de Porto Alegre Marcelo Reolon. Se for necessário, a orientação é para que se combine o encontro em um local movimentado e bem iluminado. Caronas individuais com desconhecidos devem ser evitadas, principalmente no caso das mulheres, segundo o capitão. No entanto, ele valoriza a prática entre amigos e colegas de trabalho, por exemplo, como forma de economizar combustível e evitar engarrafamentos.

Conheça alguns sites e comunidades do Orkut em que você pode procurar carona:

– Comunidade: Carona em Bauru

– Comunidade: Carona POA x Criciúma

Caronas Unicamp

Carona Brasil

Coletivu

Eco-carroagem

Finger fight chama atenção na Usina do Gasômetro

Evento organizado através da internet reúne cerca de 30 pessoas e confunde quem passeava pela orla do Guaíba

Cristine Kist, Giuliana de Toledo, Idiana Tomazelli e Mônica Reolom

Dia 1º de maio, feriado ensolarado e com o céu azul. A tarde era perfeita para uma caminhada à beira do Guaíba. Quem optou por esse programa e foi à Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, presenciou uma atividade pra lá de diferente. Cerca de 30 pessoas reunidas perto do cais protagonizaram uma finger fight, apontando seus dedos como se fossem armas a outras pessoas que estivessem participando. A “luta de dedos” é uma das modalidades de flash mob.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Imagens: Idiana Tomazelli e Mônica Reolom

more about “untitled“, posted with vodpod

 

Flash mob vem do inglês “multidão instantânea”. Geralmente, são ações combinadas pela internet por pessoas que não necessariamente se conhecem. Sem um objetivo maior aparente – além da diversão –, o grupo se reúne repentinamente para fazer alguma atividade inusitada e se dispersa ao final. Pessoas “congeladas”, guerra de travesseiros, uma caminhada de zumbis, festas dentro do metrô… As flash mobs buscam temas incomuns para chamar a atenção de quem passa pelo local.

A finger fight de Porto Alegre foi a segunda ação organizada pelo grupo Flashmob Poa. A estreia ocorreu dia 4 de abril deste ano, no Parque da Redenção, com a Pillow Fight (confira vídeo no YouTube), que contou com a presença de cerca de 15 pessoas. O evento foi marcado para comemorar o dia mundial da guerra de travesseiros. A ideia partiu dos amigos Sergio Guterres e Diego “Dipi” Porto, através de uma conversa pelo Messenger. Dipi inspirou-se em mobs europeias e americanas divulgadas na internet para promover atividades do tipo em Porto Alegre. “Nós tentamos mobilizar, de certa forma, para ver qual o potencial de mobilização que iríamos ter”, conta Sergio. Dipi já havia participado da Zombie Walk de Porto Alegre, caminhada de pessoas caracterizadas de zumbi, que chegou a reunir mais de 400 pessoas em 2006, na sua primeira edição.

O perfil dos participantes das mobilizações em Porto Alegre tem sido variado quanto à faixa etária. A Pillow Fight reuniu crianças e adultos na brincadeira, o que se repetiu na finger fight de 1º de maio. “[Pessoas] de cinco a 95 anos podem participar”, explica Sergio. A forma de mobilização dos participantes também varia. Alguns são amigos, como Sergio e Dipi, enquanto outros ficam sabendo das mobs pela internet e, então, convidam mais pessoas para participar. “Ele me mostrou que ia ter a Pillow Fight, eu me interessei e a gente foi”, conta Renata Milheiro, de 16 anos, apontando para o amigo João Gabriel Ovadia, 14 anos. A dupla ficou sabendo da nova atividade pelo Orkut e decidiu repetir a dose. O que os motiva é a diversão e a reação de quem assiste: “[A atividade] tem que ter o sentido da flash mob: acontecer algo inesperado e que as pessoas fiquem confusas”, diz João Gabriel.

O objetivo das flash mobs, confirmam os organizadores, é a diversão. “A gente vê as pessoas se organizando para fazer tanta coisa ruim, tanta bobagem… para ‘quebrar o pau’ na rua. A gente se organiza para dar risada”, defende Sergio. “A gente ri mais da reação das pessoas do que das loucuras que a gente faz”, complementa. De fato, a confusão era perceptível no público presente na Usina do Gasômetro. Enquanto a finger fight ocorria, nossa equipe foi perguntar às pessoas quais as impressões sobre o evento. Clique aqui e confira a entrevista com as amigas Taís Feldens e Ana Carolina Freitas.

Algumas pessoas destacaram, além da surpresa e da confusão, o teor de “mau gosto” da brincadeira escolhida, que, segundo elas, incita a violência. “Do jeito que está o mundo, os ‘caras’ chegam apontando um para o outro… Acho um absurdo, não gostei nem um pouco”, protesta Fabiana Carminatti. Em meio à polêmica, surgiram sugestões referentes a outras mobilizações praticadas pelo mundo, como o abraço grátis ou o beijo coletivo. Ouça aqui a reação de Evandro Bianchini, Poliana Contini e Fabiana Carminatti.

A má interpretação da intenção das flash mobs já ocasionou conflitos com o poder público. Uma semana antes da guerra de travesseiros, Sergio conta que a Prefeitura de Porto Alegre ameaçou enviar a Brigada Militar para impedir a atividade no Parque da Redenção, com medo de que se tornasse algo violento. “Acabou desmobilizando muito”, lamenta o organizador. No entanto, os líderes do grupo notam que mais gaúchos estão aderindo: “O grupo está aumentando”, afirma Dipi.

As flash mobs originalmente foram criadas para não terem um sentido maior de existir que não a diversão e o estranhamento causado nas pessoas. No entanto, a ideia acabou sendo apropriada para protestos, como o que ocorreu em São Paulo em novembro do ano passado, contra o Projeto de Lei sobre os crimes na internet. Seguindo essa linha, Sergio e Dipi prometem uma mobilização na Semana do Meio Ambiente. O evento deve ocorrer no dia 6 de junho e – planejam os organizadores – terá caráter de conscientização. Antes disso, uma autêntica flash mob: dia 23 de maio, as pessoas que quiserem participar – e vale ressaltar que qualquer um pode fazer parte de uma flash mob – deverão agir em modo câmera lenta em algum shopping da Capital. A votação do local exato já está em andamento no blog Flashmob Poa. O grupo também conta com uma comunidade no Orkut e um perfil no Twitter.

Conheça o Flashmob Poa:

Blog do Flashmob Poa

Comunidade no Orkut

Twitter do Flashmob Poa