Finger fight chama atenção na Usina do Gasômetro

Evento organizado através da internet reúne cerca de 30 pessoas e confunde quem passeava pela orla do Guaíba

Cristine Kist, Giuliana de Toledo, Idiana Tomazelli e Mônica Reolom

Dia 1º de maio, feriado ensolarado e com o céu azul. A tarde era perfeita para uma caminhada à beira do Guaíba. Quem optou por esse programa e foi à Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, presenciou uma atividade pra lá de diferente. Cerca de 30 pessoas reunidas perto do cais protagonizaram uma finger fight, apontando seus dedos como se fossem armas a outras pessoas que estivessem participando. A “luta de dedos” é uma das modalidades de flash mob.

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Imagens: Idiana Tomazelli e Mônica Reolom

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Flash mob vem do inglês “multidão instantânea”. Geralmente, são ações combinadas pela internet por pessoas que não necessariamente se conhecem. Sem um objetivo maior aparente – além da diversão –, o grupo se reúne repentinamente para fazer alguma atividade inusitada e se dispersa ao final. Pessoas “congeladas”, guerra de travesseiros, uma caminhada de zumbis, festas dentro do metrô… As flash mobs buscam temas incomuns para chamar a atenção de quem passa pelo local.

A finger fight de Porto Alegre foi a segunda ação organizada pelo grupo Flashmob Poa. A estreia ocorreu dia 4 de abril deste ano, no Parque da Redenção, com a Pillow Fight (confira vídeo no YouTube), que contou com a presença de cerca de 15 pessoas. O evento foi marcado para comemorar o dia mundial da guerra de travesseiros. A ideia partiu dos amigos Sergio Guterres e Diego “Dipi” Porto, através de uma conversa pelo Messenger. Dipi inspirou-se em mobs europeias e americanas divulgadas na internet para promover atividades do tipo em Porto Alegre. “Nós tentamos mobilizar, de certa forma, para ver qual o potencial de mobilização que iríamos ter”, conta Sergio. Dipi já havia participado da Zombie Walk de Porto Alegre, caminhada de pessoas caracterizadas de zumbi, que chegou a reunir mais de 400 pessoas em 2006, na sua primeira edição.

O perfil dos participantes das mobilizações em Porto Alegre tem sido variado quanto à faixa etária. A Pillow Fight reuniu crianças e adultos na brincadeira, o que se repetiu na finger fight de 1º de maio. “[Pessoas] de cinco a 95 anos podem participar”, explica Sergio. A forma de mobilização dos participantes também varia. Alguns são amigos, como Sergio e Dipi, enquanto outros ficam sabendo das mobs pela internet e, então, convidam mais pessoas para participar. “Ele me mostrou que ia ter a Pillow Fight, eu me interessei e a gente foi”, conta Renata Milheiro, de 16 anos, apontando para o amigo João Gabriel Ovadia, 14 anos. A dupla ficou sabendo da nova atividade pelo Orkut e decidiu repetir a dose. O que os motiva é a diversão e a reação de quem assiste: “[A atividade] tem que ter o sentido da flash mob: acontecer algo inesperado e que as pessoas fiquem confusas”, diz João Gabriel.

O objetivo das flash mobs, confirmam os organizadores, é a diversão. “A gente vê as pessoas se organizando para fazer tanta coisa ruim, tanta bobagem… para ‘quebrar o pau’ na rua. A gente se organiza para dar risada”, defende Sergio. “A gente ri mais da reação das pessoas do que das loucuras que a gente faz”, complementa. De fato, a confusão era perceptível no público presente na Usina do Gasômetro. Enquanto a finger fight ocorria, nossa equipe foi perguntar às pessoas quais as impressões sobre o evento. Clique aqui e confira a entrevista com as amigas Taís Feldens e Ana Carolina Freitas.

Algumas pessoas destacaram, além da surpresa e da confusão, o teor de “mau gosto” da brincadeira escolhida, que, segundo elas, incita a violência. “Do jeito que está o mundo, os ‘caras’ chegam apontando um para o outro… Acho um absurdo, não gostei nem um pouco”, protesta Fabiana Carminatti. Em meio à polêmica, surgiram sugestões referentes a outras mobilizações praticadas pelo mundo, como o abraço grátis ou o beijo coletivo. Ouça aqui a reação de Evandro Bianchini, Poliana Contini e Fabiana Carminatti.

A má interpretação da intenção das flash mobs já ocasionou conflitos com o poder público. Uma semana antes da guerra de travesseiros, Sergio conta que a Prefeitura de Porto Alegre ameaçou enviar a Brigada Militar para impedir a atividade no Parque da Redenção, com medo de que se tornasse algo violento. “Acabou desmobilizando muito”, lamenta o organizador. No entanto, os líderes do grupo notam que mais gaúchos estão aderindo: “O grupo está aumentando”, afirma Dipi.

As flash mobs originalmente foram criadas para não terem um sentido maior de existir que não a diversão e o estranhamento causado nas pessoas. No entanto, a ideia acabou sendo apropriada para protestos, como o que ocorreu em São Paulo em novembro do ano passado, contra o Projeto de Lei sobre os crimes na internet. Seguindo essa linha, Sergio e Dipi prometem uma mobilização na Semana do Meio Ambiente. O evento deve ocorrer no dia 6 de junho e – planejam os organizadores – terá caráter de conscientização. Antes disso, uma autêntica flash mob: dia 23 de maio, as pessoas que quiserem participar – e vale ressaltar que qualquer um pode fazer parte de uma flash mob – deverão agir em modo câmera lenta em algum shopping da Capital. A votação do local exato já está em andamento no blog Flashmob Poa. O grupo também conta com uma comunidade no Orkut e um perfil no Twitter.

Conheça o Flashmob Poa:

Blog do Flashmob Poa

Comunidade no Orkut

Twitter do Flashmob Poa

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6 Respostas para “Finger fight chama atenção na Usina do Gasômetro

  1. Valeu! Obrigado pela matéria!

  2. aeae, eu apareci ali, Renata Milheiro, to famooosa 🙂

  3. Valew pelo espaço… é uma pena as pessoas ainda acharem que todo o tipo de coletividade é para o mal, como os que acharam a brincadeira de mau gosto. Mas o mundo seria muito melhor se todos resolvessem suas idscussões com “fingerguns”…

  4. O Caixola (clube de criação da Fabico) já tinha organizado um flash mob, ano passado na redenção, que contou com a participação de mais de 50 pessoas. O link da ação: http://pessoasvendadasnaredencao.blogspot.com

  5. até que fim em POA.. parabéns pela iniciativa galera. ah, e como dizia didi mocó, avisa que eu vô! hahaha
    abrááss

  6. Pingback: Flashmob de Macarena em Porto Alegre « Admirável Mundo Virtual

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