Mídias sociais, a nova cara do público e o teatro de Sófocles

As redes sociais têm chamado a atenção e conquistado cada vez mais usuários pela enorme possibilidade de conectar pessoas. No entanto, há também uma preocupação. Como produzir conteúdo para cada uma dessas novas mídias? Durante o 22° SET Universitário (evento de comunicação organizado pela Famecos, como já comentamos aqui), o gerente de arquitetura de informação do portal Globo.com, Leandro Gejfinbein, discutiu o assunto em palestra no auditório da Faculdade de Comunicação Social (Famecos).

Guiado pelo tema principal do evento – Qual é a cara do público? –, Gejfinbein destacou o crescimento das redes sociais no mundo. Segundo pesquisa da empresa IBM publicada no site do jornal O Globo, serão mais de 800 milhões de usuários até 2012. Um número expressivo de pessoas que, segundo o palestrante, representam o público das novas plataformas de comunicação.

Cada mídia possui uma linguagem e uma estratégia de comunicação específicas. Para Gejfinbein, a questão não é somente transportar conteúdos das mídias tradicionais para a web, mas sim “como a internet poderia ajudar” na relação entre público e empresa. Ele citou como exemplo o seriado norte-americano Heroes (em português, heróis), que se baseia na ideia de transmedia storytelling (narrativa transmídia, em tradução livre). O conceito é desenvolvido por Henry Jenkins no livro Cultura da Convergência e implica não só o cruzamento de mídias, mas também uma mesma história difundida em vários meios, cada uma com sua própria linguagem e independente das outras, mas ainda assim formando um conjunto. No caso do seriado, a produção de quadrinhos com download gratuito pela internet, com enredos que complementam a narrativa da televisão, foi citada por Gejfinbein como um bom exemplo da prática de transmedia.

Com o crescente uso da internet e das redes sociais na comunicação, a tendência é de que o público se misture com os produtores de conteúdo. No site de microblog Twitter, por exemplo, muitos usuários tornam-se fontes devido à rapidez com que se consegue transmitir a informação. “A convergência já existe”, afirmou Gejfinbein. Para ele, as pessoas são capazes de captar um fragmento desses dados e discutir, criticar, queiram as companhias ou não. “O que as empresas têm que fazer é se aproveitar disso, criar ferramentas para o público interferir no conteúdo.” O palestrante ressaltou que o processo de introdução de novas tecnologias é atual: “A cara do novo público é a nossa. A gente só precisa prestar atenção.”

Para ilustrar a aproximação entre público e comunicadores, Gejfinbein propôs uma analogia entre o teatro de Sófocles, dramaturgo grego do século V a.C., e o tipo de interação que seria desenvolvido até 2027. Assim como no teatro, as mídias sociais não fariam distinção entre palco e espectadores, o que possibilitaria uma troca de informações e impressões mais dinâmica e participativa. “Vai voltar a ser como era há 2500 anos, com o mesmo tipo de relações”, prevê.

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Ficou curioso? A equipe do Admirável Mundo Virtual contatou Gejfinbein por e-mail, e ele gentilmente disponibilizou a apresentação. Para facilitar, colocamos no SlideShare do blog. Confira abaixo:

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