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Sismo em Portugal é registrado no Twitter

O tremor de terra de 6 graus na escala Richter que abalou Portugal no início desta madrugada, a 1h37min pelo horário local (23h37 no horário de Brasília), foi amplamente registrado em primeira mão através do Twitter. Quem estava perto de um computador ou celular com conexão pôde descrever exatamente o susto sentido durante os dois minutos que, de acordo com informações oficiais do instituto de meteorologia e geofísica, durou o abalo.

Através da hashtag #sismopt, dá para acompanhar agora os comentários pós-tremor e o registro das consequências do fenômeno. Pela agilidade de publicação, a cobertura informal feita pela população através do Twitter e das mídias sociais está suprindo as lacunas do noticiário local e, especialmente, do internacional. Até o momento desta postagem (1h2o, horário de Brasília), por exemplo, poucos portais brasileiros noticiavam o fato.

Prova de agilidade da web, no Google Earth, já há até um marcador com hora e local do terremoto.

Marcador no Google Earth exibe o epicentro do terremoto/ Reprodução

No Youtube, já tem até vídeo caseiro sobre o episódio: http://www.youtube.com/watch?v=yHH5Uwcfgko

Clique aqui para pesquisar o que está sendo dito no Twitter com a hashtag #sismopt

[Com informações do site A Bola]

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Mídias sociais, a nova cara do público e o teatro de Sófocles

As redes sociais têm chamado a atenção e conquistado cada vez mais usuários pela enorme possibilidade de conectar pessoas. No entanto, há também uma preocupação. Como produzir conteúdo para cada uma dessas novas mídias? Durante o 22° SET Universitário (evento de comunicação organizado pela Famecos, como já comentamos aqui), o gerente de arquitetura de informação do portal Globo.com, Leandro Gejfinbein, discutiu o assunto em palestra no auditório da Faculdade de Comunicação Social (Famecos).

Guiado pelo tema principal do evento – Qual é a cara do público? –, Gejfinbein destacou o crescimento das redes sociais no mundo. Segundo pesquisa da empresa IBM publicada no site do jornal O Globo, serão mais de 800 milhões de usuários até 2012. Um número expressivo de pessoas que, segundo o palestrante, representam o público das novas plataformas de comunicação.

Cada mídia possui uma linguagem e uma estratégia de comunicação específicas. Para Gejfinbein, a questão não é somente transportar conteúdos das mídias tradicionais para a web, mas sim “como a internet poderia ajudar” na relação entre público e empresa. Ele citou como exemplo o seriado norte-americano Heroes (em português, heróis), que se baseia na ideia de transmedia storytelling (narrativa transmídia, em tradução livre). O conceito é desenvolvido por Henry Jenkins no livro Cultura da Convergência e implica não só o cruzamento de mídias, mas também uma mesma história difundida em vários meios, cada uma com sua própria linguagem e independente das outras, mas ainda assim formando um conjunto. No caso do seriado, a produção de quadrinhos com download gratuito pela internet, com enredos que complementam a narrativa da televisão, foi citada por Gejfinbein como um bom exemplo da prática de transmedia.

Com o crescente uso da internet e das redes sociais na comunicação, a tendência é de que o público se misture com os produtores de conteúdo. No site de microblog Twitter, por exemplo, muitos usuários tornam-se fontes devido à rapidez com que se consegue transmitir a informação. “A convergência já existe”, afirmou Gejfinbein. Para ele, as pessoas são capazes de captar um fragmento desses dados e discutir, criticar, queiram as companhias ou não. “O que as empresas têm que fazer é se aproveitar disso, criar ferramentas para o público interferir no conteúdo.” O palestrante ressaltou que o processo de introdução de novas tecnologias é atual: “A cara do novo público é a nossa. A gente só precisa prestar atenção.”

Para ilustrar a aproximação entre público e comunicadores, Gejfinbein propôs uma analogia entre o teatro de Sófocles, dramaturgo grego do século V a.C., e o tipo de interação que seria desenvolvido até 2027. Assim como no teatro, as mídias sociais não fariam distinção entre palco e espectadores, o que possibilitaria uma troca de informações e impressões mais dinâmica e participativa. “Vai voltar a ser como era há 2500 anos, com o mesmo tipo de relações”, prevê.

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Ficou curioso? A equipe do Admirável Mundo Virtual contatou Gejfinbein por e-mail, e ele gentilmente disponibilizou a apresentação. Para facilitar, colocamos no SlideShare do blog. Confira abaixo:

Ópera montada via Twitter apresenta-se em Londres

No último final de semana, a Royal Opera House apresentou em Londres a primeira ópera do mundo criada pelo Twitter (já falamos aqui sobre a iniciativa). O projeto, que começou no dia 3 de agosto, resultou em um concerto de 20 minutos, exibido ao público nos dias 4, 5 e 6 deste mês, no Festival de Deloitte Ignite.

A trama gira em torno de um triângulo amoroso, formado por dois homens e uma mulher. A história ainda envolve um gato falante, um sequestro e alguma bioquímica. Apesar do enredo um pouco caótico, o diretor John Lloyd Davies – responsável por selecionar os tweets e dar seguimento à obra – assegura que o resultado teve mais consistência do que o esperado. “Nós inserimos narração para ligar um pouco mais a trama. E eu acho que a música ajuda a juntar tudo isso, mesmo quando a história parece um pouco caótica”, disse.

A música da ópera foi composta por Helen Porter e Marc Teitler. A dupla teve somente dois dias para finalizar a obra. Para conferir um trecho do libreto, clique aqui.

Para assistir a um vídeo do ensaio da ópera, clique aqui.

A ópera composta pelo Twitter teve boa aceitação entre os usuários do serviço de microblogging que participaram do processo. Contudo, Helen Woods, que assistiu à primeira performance, achou que os tweets foram muito editados. “No fim, nada do que eu escrevi sobreviveu, exceto as ideias”, lamentou. Para ela, a versão final trazia sugestões de apenas uma parte dos que contribuíram. “A ópera de várias pessoas tornou-se uma ópera de poucas. Ainda assim, foi uma experiência interessante”, acrescentou.

Sobre a qualidade da obra, Davies diz que essa não era a maior preocupação. “A internet é uma grande oportunidade para alcançar uma maior audiência e para atenuar as associações com a palavra ‘ópera’, de modo que as pessoas vejam que esta pode ser uma forma de arte muito mais acessível”, avalia.

Com informações da Deutsche Welle.

Fora Sarney: da internet para as ruas

A popularidade do movimento na web não garante grande adesão às passeatas. No 7 de Setembro em Porto Alegre, cerca de 10 pessoas compareceram à manifestação.

Giuliana de Toledo, Idiana Tomazelli e Mônica Reolom

Febre na ferramenta de microblogging Twitter, o movimento Fora Sarney expande suas atividades no “mundo físico” e tenta quebrar o rótulo de “revolução de sofá”. Depois de manifestações como a que levou 500 pessoas à Avenida Paulista, em São Paulo, o simbólico 7 de Setembro, data da Independência, foi escolhido para levar protestos às ruas em 18 cidades brasileiras. Em Porto Alegre, o pequeno número de participantes no feriado surpreendeu a organização: “Na primeira passeata foram trezentas pessoas, e na segunda, cem”, conta Moah Sousa.

Fora Sarney reúne poucos em Porto Alegre no 7 de Setembro

“Isso não é nem uma manifestação pacífica, é uma covardia”. Assim definiu o engenheiro Gilmar Roth, 52 anos, ao constatar os poucos que o acompanhavam no protesto em Porto Alegre. Somente cerca de dez pessoas compareceram ao Fora Sarney marcado para as nove horas da manhã, em frente à Câmara Municipal.

Clique aqui para conferir a galeria de fotos da manifestação.

Em Porto Alegre, manifestantes pediram a saída de Sarney

Em Porto Alegre, manifestantes pediram a saída de Sarney da presidência do Senado/ Idiana Tomazelli

Vestidos de preto, os manifestantes carregaram faixas pela Avenida Loureiro da Silva após o desfile militar. Ao longo do percurso, receberam aplausos dos que antes assistiam à parada, mas não conseguiram reunir mais pessoas na plateia.

Para um movimento organizado através da internet, o perfil dos manifestantes de Porto Alegre surpreende: a maioria dos que compareceram ao 7 de Setembro não era composta de jovens, como normalmente acontece em passeatas.

O número pequeno de manifestantes no feriado decepcionou a organização, que já conseguira juntar até 300 pessoas em Porto Alegre, segundo os cálculos do grupo. Para o organizador Moah Sousa, jornalista de 52 anos, o protesto nas ruas é decisivo para forçar a saída de Sarney. Para ele, a internet é uma ferramenta que ocupa o papel do antigo panfleto para divulgar as manifestações. “Só na internet não funciona, tem que ter manifestação física para dar resultado”, opina.

A pouca adesão no feriado, no entanto, não desanima o movimento na Capital. Segundo Moah, outras manifestações devem ser marcadas após um balanço do 7 de Setembro com representantes de outras cidades. Para o jornalista, a sequência de escândalos serve de motivação para os participantes dos protestos. “O governo continua fornecendo combustível para as manifestações”, justifica.

Confira no mapa abaixo o local da manifestação:

O desafio de ir às ruas

O que pode ser considerado um movimento de sucesso na internet, com mais de 13 mil seguidores no Twitter e repercussão da mídia, o Fora Sarney, no entanto, enfrenta dificuldades para reunir grande número de pessoas nas ruas. Os eventuais riscos que envolvem a participação em protestos físicos é um dos fatores que explica a diferença de público. “O investimento que as pessoas fazem no Fora Sarney via Twitter é muito pequeno em termos de tempo e esforço”, analisa Marcelo Träsel, professor de comunicação digital da PUCRS.

Pichação em muro da Avenida Osvaldo Aranha, em Porto Alegre

Pichação em parede da Avenida Osvaldo Aranha, em Porto Alegre/ Giuliana de Toledo

Ao mesmo tempo em que a internet facilita a adesão, o abandono da causa também pode ser mais simples, já que a cobrança do grupo é menor do que nos movimentos tradicionais. “É bastante esperado que no Twitter tenha um número muito grande de pessoas que se manifestem. Agora, o número daqueles que se dispõem a participar de uma ação mais coletiva, pública, de manifestação, tende a ser bem menor”, avalia Marcelo Kunrath Silva, professor de Sociologia da UFRGS.

Confira aqui um trecho da entrevista com Marcelo Silva.

A relação tolerante do brasileiro para com os escândalos da política também contribui para a desmotivação em participar de movimentos como o Fora Sarney. “A corrupção no Brasil tem um grau de naturalização, ou seja, é algo instituído. Todo mundo espera que o político roube”, diz Silva. O desfecho de casos como o Fora Collor – em 1992, protestos pediram o impeachment do então presidente Fernando Collor de Melo, que atualmente ocupa uma cadeira no Senado – pode ter contribuído para uma descrença no resultado de manifestações. “A população brasileira é muito crítica, mas uma crítica cética não mobiliza ninguém, pelo contrário”, define o sociólogo.

Apesar do número pequeno de pessoas nas ruas, em comparação com a adesão na internet, Träsel acredita que o movimento no Twitter, por si só, já consiga chamar atenção da mídia. Por ser um espaço que concentra muitos jornalistas, o microblog consegue “agendar” temas da imprensa. “Acho que isso é o que preocupa os políticos”, observa. A criação de uma página do Senado para responder reportagens contra Sarney poderia ser um efeito dessa repercussão, segundo ele. Träsel, no entanto, é cauteloso ao avaliar os possíveis efeitos da “revolução de sofá”: “A gente nunca vai saber, na verdade, até que ponto as mídias sociais influenciam nesse caso”.

Clique aqui para ouvir um trecho da entrevista com Marcelo Träsel.

A cultura brasileira de manifestação nas ruas também seria um entrave para que uma “revolução de sofá” consiga resultados palpáveis na política. “No Brasil e na França é muito tradicional a manifestação, as pessoas precisam ir para a rua”, explica Silva. O panorama, contudo, pode mudar no futuro: “A internet hoje ainda não está incorporada na nossa cultura política. Talvez isso vá avançar com a universalização e com a disseminação”, prevê.

Fora Sarney pelo Brasil no 7 de Setembro e a repercussão na mídia

Além de Porto Alegre, outras 17 cidades brasileiras tinham manifestações Fora Sarney planejadas para o 7 de Setembro, conforme o site oficial do movimento. Os protestos repercutiram na mídia nacional.

Em Brasília, 150 manifestantes, de acordo com a Polícia Militar, protestaram próximos ao palanque onde o presidente Lula assistia ao desfile de 7 de Setembro. Segundo matéria do Estadão, o grupo permaneceu até o fim do evento e chegou a enfrentar os policiais. O site do jornal O Globo conta até que um dos estudantes que participava da manifestação foi agarrado pelo pescoço por um PM.

No site de Zero Hora, o principal jornal do Rio Grande do Sul, foi noticiado o protesto ocorrido em Brasília durante o desfile militar. Contudo, não foi encontrada nenhuma informação sobre a manifestação em Porto Alegre na lista de notícias do site.

Em São Paulo, cerca de 300 pessoas reuniram-se na Avenida Paulista para pedir a saída do presidente do Senado. O protesto ocorreu por volta das 15h e, segundo o site do Estadão, não chegou a atrapalhar o trânsito na capital paulista.

Na cidade de Recife, os manifestantes do Fora Sarney juntaram-se a quem participava da 15ª edição do Grito dos Excluídos. Contudo, os pedidos pela destituição de Sarney e pelo fim do Senado foram feitos apenas por integrantes dos partidos PSOL e PSTU e pelos integrantes da central sindical Conlutas.

Outras notícias veiculadas sobre as manifestações:

No desfile de Sete de Setembro, estudantes protestam contra Sarney – Folha Online
Esquadrilha da fumaça divide atenção com manifestação contra Sarney – Correio Braziliense
Manifestações contra Sarney marcam o 7 de Setembro – Estadão
Jovens protestam contra Sarney em desfile de 7 de Setembro – Band

Entenda o Fora Sarney

José Sarney (PMDB-AP) é acusado de irregularidades na administração do Senado, contratação de parentes e desvio de dinheiro público por meio de uma fundação que leva o seu nome. Onze pedidos de investigação contra Sarney já foram arquivados pelo presidente do Conselho de Ética do Senado, senador Paulo Duque (PMDB-RJ).

Para reivindicar a saída de Sarney da presidência do Senado, o movimento Fora Sarney adotou a estratégia de espalhar notícias e mensagens de protesto acompanhadas pela tag #forasarney no Twitter. Um site, uma rede social e comunidades no Orkut e no Facebook também foram criadas para organizar o movimento e combinar protestos.

Para participar

Site oficial
Perfil no Twitter
Comunidade no Orkut
Comunidade no Facebook

Twestival: Twitter + solidariedade

Twestival Local acontece entre 10 e 13 de setembro

Twestival Local ajudará instituições de várias cidades do mundo/ Divulgação

Causas nobres também têm espaço na internet. Neste caso, no Twitter. Entre 10 e 13 de setembro, cerca de 160 cidades ao redor do mundo serão palco do Twestival. O evento – também conhecido como Twitter Festival – consiste em uma série de encontros “físicos” organizados por voluntários de todo o mundo com o objetivo de arrecadar fundos para alguma instituição.

Em 2008, um grupo de usuários do Twitter em Londres promoveu um encontro com o objetivo de obter doações para a instituição The Connection, que auxilia desabrigados na capital inglesa. Após o sucesso do evento, o grupo começou a planejar uma próxima edição londrina. A ideia expandiu-se, e no início deste ano ocorreu o Twestival Global. Com o intuito de trabalhar em nível local para ajudar uma causa internacional, usuários do serviço de microblogging participaram dos encontros em 202 cidades e arrecadaram fundos para a ONG charity: water, responsável por fornecer água potável às nações em desenvolvimento. As doações foram enviadas via PayPal, empresa que permite transferências monetárias por e-mail.

Agora é a vez do Twestival Local. O slogan “Tweet. Meet. Give.” (em português, “tuíte, conheça, doe”) apresenta o objetivo do evento. Além de conhecer outros usuários do Twitter, os participantes terão a oportunidade de auxiliar instituições da mesma localidade que abrigará o festival. No Brasil, 11 cidades aparecem na lista disponibilizada no site do evento. Cada uma possui um blog oficial e uma página no Twitter, que fornecem informações sobre os encontros. Ainda é possível conhecer a organização que cada cidade irá ajudar. Até agora, Porto Alegre não aparece na lista oficial, e o blog da cidade não possui maiores informações sobre o Twestival deste mês.

Para quem se interessa em participar do evento, basta acessar o site do Twestival (em inglês) e conferir a lista completa das cidades onde acontecerão os encontros. Também é possível seguir o perfil do evento no Twitter: http://twitter.com/twestival (mensagens em inglês).

Ópera é composta via Twitter

Desde o lançamento do Twitter, em março de 2006, o serviço de microblogging passou a ser utilizado como minidiário virtual, página de divulgação de conteúdo, ferramenta de publicidade de empresas e palco de manifestações, como as dos ativistas do Irã no conflito pós-eleições (leia o artigo de nossa blogueira Giuliana de Toledo sobre o assunto). Mas novidades continuam surgindo na rede social: a Royal Opera House, de Londres, está montando uma ópera em cima de mensagens enviadas em inglês por usuários do Twitter.

O projeto começou no dia 3 de agosto deste ano, segundo o blog da Royal Opera House. Na página, pode ser conferido o início da história proposto pelos criadores da ideia, assim como atualizações e uma lista com os últimos tweets. Para participar, basta enviar uma mensagem para a página no Twitter do projeto: http://twitter.com/youropera. Só são aproveitadas as mensagens em inglês.

A ideia da Royal Opera House é inovadora por utilizar-se do Twitter, mas não é a primeira na web. Em Nova York, uma orquestra composta de 90 músicos de 30 países, escolhidos pela internet, fez uma apresentação no Carnegie Hall. O grupo só teve três dias para ensaiar antes da exibição. Confira aqui a matéria divulgada no telejornal Bom Dia Brasil, da TV Globo.

Segundo notícia do site Cifra Club, a Royal Opera House já tem a cena I do primeiro ato concluída. Um resumo da parte finalizada foi divulgado: “William está preso em uma torre após ter sido sequestrado por  pássaros que querem se vingar por ele ter matado um dos seus. Hans prometeu resgatá-lo. A Mulher Sem Nome está no laboratório de bioquímica tentando criar uma poção que permita ao homem falar com os pássaros”. O resultado final será apresentado no Festival de Deloitte Ignite, entre os dias 4 e 6 de setembro.

Comunidades virtuais difundem formas de emagrecer

Métodos saudáveis e maléficos disputam espaço na web

Cristine Kist, Giuliana de Toledo, Idiana Tomazelli e Mônica Reolom

Atualizado em 15/07/09, às 23h50.

Emagrecer

Imagem: flc214/ Flickr

Para quem quer emagrecer, a internet pode tornar-se uma ferramenta para dividir experiências e receber apoio de grupos com o mesmo interesse. Em redes sociais como o Orkut, é possível encontrar centenas de comunidades voltadas ao tema. Blogs e fóruns também são espaços para registrar o dia-a-dia de quem luta contra a balança por meio de dietas ou mesmo de cirurgias. Porém, nem sempre o método de emagrecimento indicado na web é saudável. Há muitas comunidades com dicas pró-anorexia e pró-bulimia (as chamadas pró-ana e pró-mia) que fazem apologia a esses distúrbios alimentares.

O Orkut pode ser uma fonte de pesquisa de dietas. Uma simples busca pelo termo “emagrecer” retorna mais de 900 resultados de comunidades. Entre os grupos mais numerosos, está o “Quero e vou emagrecer!”, com quase 11 mil membros. Lá é possível consultar diversas receitas de dietas, trocar depoimentos e relatar dificuldades no processo. Um tópico criado em 2006 para acompanhar semanalmente o peso dos membros é o mais popular da comunidade. Para a nutricionista Myriam Milano, a iniciativa é valida: “Funciona bastante para quem quer participar do grupo e talvez para quem não tenha recursos para procurar um atendimento individualizado, ou mesmo para quem precisa de um apoio que não seja de familiares e amigos”.

Confira aqui trecho da entrevista com a nutricionista Myriam Milano.

Livro registra experiências de quem perdeu peso fazendo blog/ Reprodução

Livro registra experiências de quem perdeu peso fazendo blog/ Reprodução

A comunidade “Quero e vou emagrecer!” foi criada em março de 2005 pela blogueira Lu Francesa, que também enfrentava problemas com seu peso. Hoje, vários quilos mais magra, Lu, que também mantém um blog sobre emagrecimento, acredita que a internet foi essencial para atingir seu objetivo. “Escrever sobre as dificuldades e problemas relacionados a comida e ter ajuda de outras pessoas facilitam muito, porque na maioria das vezes o excesso de peso tem a ver com os problemas emocionais”, relata. Sua atuação na web também rendeu amizades e notoriedade fora do ambiente virtual. A criadora do grupo já organizou alguns encontros – os mais numerosos em São Paulo e no Rio de Janeiro – e ajudou a jornalista e blogueira Andréa Antonacci a escrever o livro “Emagreci fazendo um blog” – publicação que conta como a internet pode ajudar a perder peso e ganhar amigos.

Saiba mais sobre o livro “Emagreci fazendo um blog”.

Pacientes que fizeram cirurgia de redução de estômago (gastroplastia) formam um grupo notável de blogueiros (confira lista de alguns blogs no final da matéria) que usam a internet para contar seu processo de emagrecimento, encontrar outras pessoas na mesma situação e informar interessados em submeter-se à cirurgia. Até um portal foi criado especialmente para orientar sobre o assunto. No Gastroplastia.net, há informações completas sobre o pré e o pós-operatório, riscos do procedimento, relatos e links de blogs de pessoas que já fizeram a cirurgia, contatos de médicos, entre outras. Por pesquisarem em páginas desse tipo, muitos pacientes já chegam ao consultório sabendo o que querem. A tendência, segundo o Dr. Cláudio Mottin, diretor do Centro da Obesidade e Síndrome Metabólica (COM), do Hospital São Lucas da PUCRS, é positiva: “Acho muito interessante que venham mais informados”. No entanto, como algumas informações partem da vivência, e não de um conhecimento científico, é essencial consultar um especialista para obter a orientação correta para cada caso.

A prática de fazer blogs para registrar a gastroplastia tem sido recomendada até mesmo pelos médicos. Dr. Mottin relata que em um recente congresso em Dallas, nos Estados Unidos, a internet como parceira no tratamento foi um dos focos de debate. Formar um grupo virtual para a troca de experiências é apontado por alguns especialistas como um importante aliado na recuperação dos pacientes. O diretor do COM, contudo, recomenda que essas comunidades convidem eventualmente um médico para contribuir na discussão.

Anorexia e bulimia: comunidades contra e a favor

Myriam Milano: acompanhamento profissional é o mais indicado/ Foto: Idiana Tomazelli

Myriam Milano: acompanhamento profissional é o mais indicado/ Foto: Idiana Tomazelli

Paralelamente a iniciativas que promovem um emagrecimento saudável, o Orkut abriga também comunidades que fazem apologia à anorexia e à bulimia – na comunidade “Quero e vou emagrecer!” tópicos desse tipo são vetados. Usando os apelidos “ana” (anorexia) e “mia” (bulimia), os membros defendem o que chamam de “estilo de vida”. No entanto, a anorexia e a bulimia são doenças graves que podem levar à morte. A não-ingestão de alimentos (anorexia) e a prática de provocar vômito após comer (bulimia) são tratadas, por essas pessoas, como algo que lhes proporcionará a perfeição estética. A nutricionista Myriam Milano aponta os riscos que esses espaços oferecem: “Com esse incentivo, eles fornecem ideias que, às vezes, a pessoa não tem, e acaba até agravando a doença, porque elas [que sofrem do distúrbio] conseguem esconder por mais tempo dos familiares”. O psicólogo Fernando Elias José também alerta para o perigo desses grupos na web: “Se as pessoas já tiverem alguma pré-disposição para desenvolverem essas doenças, com o estímulo da internet terão muito mais ferramentas para fazê-las”. Há comunidades no Orkut com cerca de 950 membros – muitos destes com a identidade oculta atrás de perfis falsos. Os fakes costumam ser batizados com nomes alusivos a “ana” e “mia” e exibir fotos de pessoas magérrimas ou celebridades que já sofreram desses distúrbios – como a cantora Anahí (do grupo RBD) e as atrizes Nicole Ritchie e Mary-Kate Olsen.

Ouça aqui a opinião da nutricionista Myriam Milano.

Nas comunidades pró-ana e pró-mia, são difundidas formas de inspiração para continuar seguindo esse caminho radical de emagrecer. Fotos, músicas e frases de efeito servem como thinspirations (inspirações para a magreza). Há tópicos específicos para iniciantes na comunidade pegarem esse “material de apoio”, conhecerem os “mandamentos” e informarem-se sobre técnicas de LF (low food, pouca ingestão de alimentos) e NF (no food, jejum total). Para os já iniciados, há campeonatos de quem fica sem comer por mais tempo e dicas para enganar amigos, familiares e médicos (principalmente no momento de pesagem). Há também uma espécie de código de identificação entre os participantes desses grupos: vocabulário próprio e o uso de pulseiras (vermelha para “ana” e roxa para “mia”) são formas de mostrar adesão.

Confira aqui uma lista com as principais expressões utilizadas por quem sofre de anorexia e bulimia.

Por outro lado, há comunidades no Orkut contrárias a esses distúrbios (confira lista com algumas comunidades no fim da matéria). Nesses espaços, pessoas que querem superar o problema encontram apoio de outras que já se recuperaram, ou que simplesmente querem ajudar. Nos fóruns, também é comum que amigos de pessoas que sofrem de anorexia e bulimia procurem informações sobre como podem auxiliar. Há cerca de dois anos, Maria (nome fictício dado à entrevistada, que não quis se identificar) integra uma comunidade de ajuda para quem sofre de anorexia e bulimia. Para ela, as trocas de experiência e a orientação profissional oferecidas na comunidade (profissionais ligados à Psicologia acompanham algumas discussões do grupo) foram decisivas em alguns casos. “Transtorno alimentar não é brincadeira, e algumas pessoas simplesmente não entendem isso e fazem muito mal, influenciando crianças e adolescentes”, alerta.

Qualquer usuário do Orkut pode denunciar uma comunidade que faça apologia à anorexia e à bulimia clicando no botão “denunciar abuso”. Segundo os termos de serviço do Orkut, o Google, responsável pela rede de relacionamentos, não tem qualquer obrigação de fazer vigilância sobre os conteúdos lá difundidos: “Não podemos monitorar o que hospedamos ou aquilo para o qual criamos links, embora em alguns casos nós devêssemos. Não fique surpreso se vir algo de que não gosta. Você sempre poderá nos falar sobre isso ou deixar de olhar esse conteúdo”, esclarece a política do site.

Os profissionais envolvidos no tratamento de pessoas que sofrem de distúrbios alimentares acreditam que a internet possa ajudar no processo. No entanto, não dispensam o acompanhamento especializado. “Procurar ajuda sempre é válido, mas é preciso ter certeza da seriedade desta ajuda”, diz Fernando Elias José. O psicólogo ressalta: “O importante é vencer a doença, mas com cautela, seriedade e profissionalismo”.

Confira aqui o que a nutricionista Myriam Milano diz sobre o tema.

Fique atento: De acordo com a Revista CFN – Conselho Federal de Nutricionistas (Número 27, Janeiro/Abril de 2009), é considerado antiético que os nutricionistas atendam a pacientes por meio da internet. O diagnóstico e o tratamento devem ser individualizados. Para evitar erros médicos e prescrições incorretas, é preciso que a consulta a um nutricionista seja presencial. Conforme o artigo 70, inciso XVII, capítulo IV do Código de Ética do Nutricionista é antiético dar consultas “através da internet ou qualquer outro meio de comunicação que configure atendimento não-presencial”. Os profissionais que descumprirem a orientação podem ser punidos pelo Conselho.

Campanhas em vídeo na internet

Muitas das celebridades que já sofreram de anorexia e/ou bulimia hoje fazem campanha de conscientização dos riscos dessas doenças. Paradoxalmente, sua imagem continua sendo vinculada a comunidades virtuais pró-ana e pró-mia. O vídeo abaixo, por exemplo, mostra a cantora Anahí em campanha contra a bulimia.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

LINKS RELACIONADOS

Blog e comunidade da Lu Francesa:

http://www.lufrancesa.com/

Quero e vou emagrecer!

Blog de Andréa Antonacci:

http://meublogspa.wordpress.com/

Livro:

“Emagreci fazendo um blog”

Sites e blogs sobre gastroplastia:

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http://inmyshoes.zip.net/

http://www.gastroplastia.net/

http://mbpintoo.blogspot.com/

http://clauquevaisermagrinha.blogspot.com/

http://minhareducaodeestomago.zip.net/

http://emagrecendocorpoealma.blogspot.com/

Comunidades no Orkut contra anorexia e bulimia:

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Digo não a anorexia e bulimia

Anorexia, Bulimia – Ajuda

Ana e Mia – Grupo de Apoio

Bulimia e Anorexia: eu superei

Vídeos de campanhas contra “ana” e “mia”:

http://www.youtube.com/watch?v=2DxjE08Gh8o

http://www.youtube.com/watch?v=JiCtVCS0zfo

Artigo científico sobre anorexia e bulimia nas redes sociais, de Vanessa Alkmin Reis:

http://www.rumores.usp.br/reis.pdf